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Portugal em Xeque
![]() Mais de 23 mil sem seguro
por: Carla Vaz
03-03-10
Se estiverem envolvidos num
acidente de viação, a grande maioria dos carros pertencentes ao Governo
português não apresentará ligação a uma qualquer seguradora, cabendo aos seus
condutores, se considerados culpados, a obrigação de arcarem com as despesas do
próprio bolso
De acordo com um levantamento da Agência Nacional de Compras Públicas (ANCP), referente ao passado ano, somente 5.572 das 28.793 viaturas do Estado se encontram seguradas, ou seja, mais de 80% dos carros do Estado não têm qualquer espécie de seguro. A maioria destes veículos sem seguro pertence ao Ministério da Administração Interna (MAI), estando, por seu lado, distribuídos pela GNR e PSP. Há ainda que salientar o facto de que os condutores destas viaturas, em caso de serem declarados culpados em acidentes, são alvo de processos disciplinares e obrigados a arcar com as despesas. O top dos ministérios Os dados do ANCP demonstram que não existe um único ministério onde a percentagem de carros com seguro atinja sequer metade dos aí existentes. O ministério da Saúde, com 21,1%, é o que mais viaturas cobertas tem. Já no MAI e no ministério do Trabalho e da Segurança Social, as percentagens são apenas de 13,8 e 11, respetivamente. Isenção legal Na verdade, a ausência de seguros nos veículos do Estado não é ilegal, uma vez que se encontra prevista na lei, permitindo-lhe poupar grandes somas. Porém, tal como acontece na GNR e na PSP, quando ocorre um acidente e o condutor é considerado culpado, é este mesmo quem vai ter de suportar as despesas, tendo ainda de enfrentar um processo disciplinar que termina, quase sempre, com a aplicação de dias de multa (dias de trabalho que não lhe serão pagos). As opiniões Para Nuno Salpico, do Observatório de Segurança das Estradas e Cidades, “o Estado tem todo o interesse em que os seus motoristas tenham seguro, pois, em caso de acidentes graves, com elevados danos e indemnizações para pagar, sabe-se que isso pode ser um problema grave para o próprio Estado, uma vez que o condutor culpado não possui meios financeiros para pagar”. Também Manuel João Ramos, da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados (ACA-M), “essa regra [isenção de seguro] reporta-se a uma época em que os carros do Estado não eram sequer um décimo daqueles que hoje existem. O que se constata atualmente é que os condutores dos carros do Estado são sujeitos a uma situação de quase chantagem por parte dos detentores de cargos públicos. Têm mais algumas regalias por conduzirem essas viaturas, mas sujeitam-se a todas as formas de pressão, sobretudo psicológica. Depois, quando há um problema, as coisas são abafadas, normalmente com as intervenções dos ministros, que acabam por limpar o cadastro aos motoristas”. Velhas e em mau estado Outro dos items que consta do relatório da ANCP diz respeito à idade das viaturas do Estado, visto que dentre as mais 27 mil com matrícula, existem 6.173 (22,3%) com mais de 16 anos de uso. A idade, associada às dificuldades de manutenção destas viaturas, representa uma das principais reclamações de quem as utiliza, ou seja, das forças policiais GNR, com 5.531 veículos, e PSP, com 3.913. Leia na íntegra na versão PDF Comentar |
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por: João Filipe
Quando a esperança nos
políticos começa a não ser mais do que uma utopia, quando parece que nada pode
fazer a vida melhorar, muitas pessoas procuram soluções por outros caminhos.
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