Geral
“Ajudas do cérebro” no centro da polémica
por: Nilza Vaz
02-03-10
Os médicos estão a questionar uma campanha lançada pelas farmácias para promover medicamentos que ajudem os alunos a estudar na época de exames

Ansiedade, stress, cansaço, problemas de memória e de concentração. A pensar nos principais efeitos que os exames têm nos universitários, a Associação Nacional de Farmácias lançou uma campanha que visa aproximar as farmácias dos jovens adultos entre os 18 e os 24 anos, para que estes as vejam como um “espaço de aconselhamento” para produtos que os ajudem na hora de estudar. Uma ideia que desagrada à classe médica, que aponta o dedo a soluções rápidas e que fazem acreditar que a inteligência pode vir dentro de um frasco de comprimidos ou no líquido de uma ampola. “Deviam fazer campanha era para incentivar mais horas de estudo”, defende o bastonário da Ordem dos Médicos, Pedro Nunes.

“Na época de queimar as pestanas sabes o que te fazia bem? Concentração forte” e “Quando já acorda cansado, sabe o que lhe fazia bem? Espertina” são duas das frases presentes nos cartazes que estarão expostos, durante o mês de Fevereiro, nas universidades e nas estações do metro e da CP. A campanha estará também presente nos canais generalistas de televisão e em alguns canais por cabo.

“É mais um passo na nossa linha de comunicação de que a farmácia é muito mais do que um espaço para comprar medicamentos. É um espaço de saúde e bem-estar de onde as pessoas saem com mais confiança, auto-estima e segurança”, resumiu Pedro Casquinha, da Associação Nacional de Farmácias. Sobre as críticas dos médicos, recusou-se a fazer comentários, afirmando apenas que “na farmácia não se entra com carrinho de compras”.

Efeito placebo

Contudo, os dados sobre as vendas mostram que há cada vez mais pessoas que não resistem às chamadas smart drugs, isto é, às substâncias que ajudam a potenciar a “inteligência” e que são cada vez mais um recurso para contornar a ansiedade que os momentos de exame provocam.

No Reino Unido, por exemplo, foi feito, no ano passado, um estudo que indica que um quarto dos estudantes universitários britânicos recorre à ajuda destes químicos.

Em Portugal, no ano passado, os armazenistas venderam às farmácias um total de 469.293 embalagens de suplementos que ajudam a aumentar a capacidade de concentração e de memória, o que correspondeu a um aumento de mais de 25 por cento em relação a 2008. No que diz respeito ao volume de vendas, o negócio moveu quase 8,5 milhões, o que representa um aumento na ordem dos 23 por cento.

EMBALAGENS VENDIDAS EM 2009, VISTAS MÊS A MÊS:

Outubro – 57.096

Dezembro – 46.417

Janeiro – 44.762

Novembro – 44.068
por: João Filipe
Quando a esperança nos políticos começa a não ser mais do que uma utopia, quando parece que nada pode fazer a vida melhorar, muitas pessoas procuram soluções por outros caminhos.
 
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