Geral
Nascem cada vez mais bebés prematuros
por: Carla Vaz
28-01-10
Para além de nunca terem nascido tão poucas crianças em Portugal como agora, também tem crescido o número de casos de bebés que nascem antes do tempo

Os dados ainda provisórios apontam para um total de 100.026 rastreios efetuados no ano passado, no Instituto de Genética Médica Jacinto de Magalhães, no Porto, local que centraliza as análises das amostras de sangue recolhidas através da picada no calcanhar dos recém-nascidos, o chamado “teste do pezinho”. Representando cerca de menos quatro mil nascimentos do que em 2008, estes testes constituem um indicador extremamente fiável da natalidade, porque cobrem “99,6%” do total de nascimentos.

Menos nascimentos

No início da década de 80, “tinha-se o primeiro filho, em média, aos 23,5 anos, agora, é aos 28,4”, relembra a socióloga Maria João Valente Rosa. O que quer dizer que, atualmente, sobre menos tempo às mulheres para terem filhos e estas também querem ter menos filhos. Para além disso, os incentivos à natalidade pouco ou nada têm ajudado: “as mulheres sabem melhor do que os governantes o que afeta o nascimento de uma criança: a estabilidade em termos de trabalho, as condições de acolhimentos, sendo que as creches são poucas e caríssimas”, constata Ana Fernandes, demógrafa.

Mil prematuros por ano

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), nascem todos os anos, no Mundo, 13 milhões de prematuros. E Portugal registou, em 2008, 1.025 abaixo das 1.500 gramas e das 32 semanas; e 170 bebés no limiar da viabilidade, ou seja, entre as 24 e as 25 semanas. Ainda não existem dados estatísticos relativamente a 2009, “mas os números não serão muito diferentes”, assegura a diretora do Departamento de Neonatologia do Hospital de S. João, no Porto.

No nosso País, a prematuridade tem vindo sempre a aumentar nas últimas três décadas. Se há 30 anos atrás, 5% destes bebés estavam abaixo das 32 semanas, hoje são 7%. As infeções assintomáticas são a causa mais comum: “é a infeção bacteriana ou vírica”, explica Hercília Guimarães. Uma placenta inflamada ou uma infeção urinária podem despoletar as contrações do parto. No entanto, a prematuridade também pode estar ligada a outros fatores, tais como uma doença crónica da mãe.

Para além das causas mais comuns, existem ainda outros fatores de risco sobre os quais nem sempre se pode provar cientificamente que tenham estado na origem de um parto antes do tempo, tais como: o stress, a falta de condições, a poluição, uma gravidez antes dos 18 ou depois dos 35 anos e a inseminação artificial.

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por: João Filipe
Quando a esperança nos políticos começa a não ser mais do que uma utopia, quando parece que nada pode fazer a vida melhorar, muitas pessoas procuram soluções por outros caminhos.
 
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