Impotência, frustração, dor,
choro, sentimento de fracasso, perde-se a esperança e a vida parece não ter
mais sentido
Todos perdemos algo ou alguém e
vemo-nos massacrados por esse turbilhão de sentimentos que parecem, primeiro, deixar-nos
sem atitude e, depois, com o passar dos dias, matam-nos pouco a pouco. Eu já
também já perdi, nalguns momentos da minha vida: quando me casei, tive que
deixar a casa do meus pais para assumir a minha nova condição de esposa.
Cabia-me, agora, a tarefa de formar uma família e tive um ótimo exemplo em
casa!
Alguns anos depois, sentia-me
realizada: como esposa, como mãe, como a melhor amiga da minha filha… Mas
aconteceu algo inesperado – perdi os meus filhos – os dois ao mesmo tempo. Tudo
se desmoronou, sofri muito e chorei. Vi-me sem forças, mas consegui vencer esse
sentimento que domina por completo a nossa razão.
Para ser sincera, parecia que não
iria suportar aquela dor cruel. Só existiam lembranças boas, saudades e uma voz
tenebrosa que me parecia compreender, porém, era acusadora. Estava fraca e muito
sensível! Então, fiz o que sempre aprendi. Pedi forças a Deus, porém, os
sentimentos e a lembrança do passado mantinham-me presa à dor. Não conseguia
ver além, nem o melhor para mim. Parecia ter perdido o meu chão, mas vi que
enquanto alimentava aquele sofrimento, este não iria embora, mesmo crendo em Deus.
Deus falava comigo, a voz d’Ele
era bem baixinha. Descobri uma coisa, a voz do meu ego era mais forte do que a d’Ele.
É claro que Ele me respeita e deixou-me tomar as minhas próprias decisões. E eu
tomei-as, contra a minha vontade. Fui ao altar de Deus e ofereci aquilo que não
queria entregar. Mas, entreguei, chorando e sabendo que estava a nutrir algo
que não me trazia nenhum benefício. Decidi entregar não somente os meus filhos,
mas também os sonhos de ter outros para substituir aquela dor. Quando desci
daquele altar, vi-me como se estivesse diante de um espelho. E vi o quanto
estava a lutar somente pelos meus direitos (como mãe) e a não dar o meu apoio
aqueles que sofrem.
Mas, você tem o direito de ser
feliz! Sim, tenho todo o direito! Porém, não tinha como trazer os meus filhos
de volta! E porquê continuar alimentando somente os meus sentimentos, que não
me traziam nada de novo? Realmente, tive que ser dura comigo mesma, a ponto de
não ser compreendida pelas demais pessoas. Foi isso que me capacitou, porque
dei a Deus o que eu mais queria.
O sentimento é a força do nosso
coração, que se alimenta do sentir, de tudo o que machuca. Mas o que nos salva e
capacita para sermos livres é o ato de dar. Se, hoje, tenho forças para relatar
algo tão pessoal, é para que você saiba que também sou “humana” e sujeita às mesmas
perdas que você. Mas de onde tirei forças, de onde veio o socorro? Tudo se fez
novo dentro de mim, tive milhares de filhos (não biológicos), que me trazem
mais alegria e sinto-me mais realizada, porque são filhos que dão valor a todos
os meus ensinamentos.
E como pessoa e ex-mãe? Sinto-me livre e muito feliz, com o que Deus fez
dentro de mim. Tudo se fez novo, a Vivi egoísta foi-se embora. Por isso, seja o
que for que você tenha perdido, já se foi, existem novas conquistas esperando
por si. Não seja escrava(o) dessa dor, você pode ser mais forte do que ela!
Quando a esperança nos
políticos começa a não ser mais do que uma utopia, quando parece que nada pode
fazer a vida melhorar, muitas pessoas procuram soluções por outros caminhos.
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