O Ministério do Ambiente brasileiro
já deu “luz verde” ao início das obras de construção da terceira maior barragem
do Mundo, precisamente no seu “pulmão”. Os opositores já denunciaram que a obra
vai alagar 51 mil hectares de floresta e desalojar populações indígenas
Carlos Minc, o ministro do
Ambiente , anunciou, no início deste mês, a licença prévia para a construção da
hidroeléctrica de Belo Monte, no rio Xingu (afluente do Amazonas) no estado do
Pará, no âmbito do Programa brasileiro de Aceleração do Crescimento. A unidade
terá uma capacidade de produção de onze mil megawatts (MW) e custará 7,9 mil
milhões de euros.
Belo Monte será a segunda maior
barragem do Brasil e a terceira maior do Planeta. Mas quem vencer o concurso
para adjudicação da obra terá que arcar com um custo estimado em 1,5 mil
milhões de reais (574 milhões de euros) em contrapartidas ambientais. Este será
o maior valor alguma vez exigido a uma barragem.
Estão previstas medidas de
compensação que incluem a melhoria das condições de vida das populações locais –
como obras de saneamento, habitação e transporte – e recuperação ecológica e
planos de gestão de fauna e flora.
Povos indígenas e ambientalistas contra
Mas esta barragem – tida como necessária
para o desenvolvimento do Brasil, que depende da energia hidroelétrica em 80
por cento – conta com o protesto das populações indígenas que vivem nas margens
do rio Xingu e de ambientalistas.
A começar, a barragem deverá inundar
cerca de 500 quilómetros quadrados de terras e secar cem quilómetros de rio,
onde vivem milhares de indígenas e pequenos agricultores. Durante a construção
da barragem chegarão a esta zona da floresta mais de 200 mil pessoas,
“provocando o aumento na desflorestação em diversos municípios da bacia do rio
Xingu”, sublinha a “Greenpeace” no Brasil.
“Lamento muito que tenham concedido
esta licença. Esta barragem será o caos”, disse o bispo de Xingu, Erwin
Kräutler, citado pela AFP, referindo-se às graves consequências para as populações
locais e para o Ambiente.
O “Movimento Xingu Vivo” denuncia
que a barragem “poderá ser o maior desastre ambiental da nossa História” e
lembra que 20 mil pessoas ficarão sem casa. Este movimento lamenta que parte da
energia produzida vá alimentar empresas que já estão a destruir a Amazónia. “Isso
deixará apenas destruição, miséria, fome e violência para toda a biodiversidade
dos 13 municípios que sofrerão os impactos do Belo ‘Monstro’”, especialmente
Altamira, Vitória do Xingu e Brasil Novo.
Quando a esperança nos
políticos começa a não ser mais do que uma utopia, quando parece que nada pode
fazer a vida melhorar, muitas pessoas procuram soluções por outros caminhos.
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