Os médicos estão a questionar
uma campanha lançada pelas farmácias para promover medicamentos que ajudem os alunos
a estudar na época de exames
Ansiedade, stress, cansaço,
problemas de memória e de concentração. A pensar nos principais efeitos que os
exames têm nos universitários, a Associação Nacional de Farmácias lançou uma
campanha que visa aproximar as farmácias dos jovens adultos entre os 18 e os 24
anos, para que estes as vejam como um “espaço de aconselhamento” para produtos
que os ajudem na hora de estudar. Uma ideia que desagrada à classe médica, que aponta
o dedo a soluções rápidas e que fazem acreditar que a inteligência pode vir
dentro de um frasco de comprimidos ou no líquido de uma ampola. “Deviam fazer
campanha era para incentivar mais horas de estudo”, defende o bastonário da
Ordem dos Médicos, Pedro Nunes.
“Na época de queimar as pestanas
sabes o que te fazia bem? Concentração forte” e “Quando já acorda cansado, sabe
o que lhe fazia bem? Espertina” são duas das frases presentes nos cartazes que
estarão expostos, durante o mês de Fevereiro, nas universidades e nas estações
do metro e da CP. A campanha estará também presente nos canais generalistas de
televisão e em alguns canais por cabo.
“É mais um passo na nossa linha
de comunicação de que a farmácia é muito mais do que um espaço para comprar medicamentos.
É um espaço de saúde e bem-estar de onde as pessoas saem com mais confiança,
auto-estima e segurança”, resumiu Pedro Casquinha, da Associação Nacional de
Farmácias. Sobre as críticas dos médicos, recusou-se a fazer comentários, afirmando
apenas que “na farmácia não se entra com carrinho de compras”.
Efeito placebo
Contudo, os dados sobre as vendas
mostram que há cada vez mais pessoas que não resistem às chamadas smart drugs, isto é, às substâncias que
ajudam a potenciar a “inteligência” e que são cada vez mais um recurso para
contornar a ansiedade que os momentos de exame provocam.
No Reino Unido, por exemplo, foi
feito, no ano passado, um estudo que indica que um quarto dos estudantes universitários
britânicos recorre à ajuda destes químicos.
Em Portugal, no ano passado, os
armazenistas venderam às farmácias um total de 469.293 embalagens de
suplementos que ajudam a aumentar a capacidade de concentração e de memória, o
que correspondeu a um aumento de mais de 25 por cento em relação a 2008. No que
diz respeito ao volume de vendas, o negócio moveu quase 8,5 milhões, o que
representa um aumento na ordem dos 23 por cento.
Quando a esperança nos
políticos começa a não ser mais do que uma utopia, quando parece que nada pode
fazer a vida melhorar, muitas pessoas procuram soluções por outros caminhos.
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