Cláudia Vieira – “Se não sonharmos, a vida torna-se aborrecida”
02-03-10
A atriz, modelo e
apresentadora de televisão não se deslumbra com a fama e refuta a conceção
tradicional de sex symbol, alegando a sua forma prática e descontraída de ser e
de viver
1 – Quando descobriu que queria ser atriz?
Nos “Morangos com Açúcar”. Recebi
o convite para o casting – mas não pensei que representar fosse um desafio.
Considerava que a representação era uma atividade muito rotineira e nunca
esteve nos meus planos. Pensava que uma atriz decorava o texto e fingia que era
outra pessoa. Só que é muito mais do que fingir. É proposto um estado emotivo,
uma transformação natural e credível para que “nasça” outra pessoa. É mexer comigo,
usar o meu interior e o meu corpo. Há um gozo muito grande quando descubro que
posso ser várias personagens.
2 – É muito importante para si representar?
É uma parte importante de quem
sou e de quem me quero tornar. Quero ser uma grande atriz. Sei que é muito
complicado, mas quero ter capacidade de fazer distinguir, com qualidade e muita
credibilidade, todas as personagens que representar, e fazer passar verdade
naquilo que interpretar. Se vai ser em Portugal ou lá fora, isso de facto não é
importante para mim. O que quero é poder trabalhar com as pessoas certas.
3 – Vê com bons olhos o cinema português?
O nosso cinema é comercial. É a
forma de levar as pessoas às salas. Se enveredarmos pelo cinema de autor, como
Manoel de Oliveira, aconteceria o que se verificou há uns tempos atrás, em que
os filmes portugueses não eram vistos. Hoje produz-se mais cinema nacional e
considero errado que se critique o que está a ser feito em Portugal, em nome do
que se faz lá fora.
4 – Hollywood é o seu grande objetivo?
Não é um objetivo, é um caminho
possível. Se a oportunidade surgir, irei agarrá-la.
5 – Dá-se bem com a fama?
É muito difícil gerir, com uma
boa dose profissional, o “estar em alta”, a aparecer muito. É importante
perguntar-me até que ponto é que há motivos para me sentir “em alta”.
Quando a esperança nos
políticos começa a não ser mais do que uma utopia, quando parece que nada pode
fazer a vida melhorar, muitas pessoas procuram soluções por outros caminhos.
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