O governo britânico pediu
desculpas e atribuiu verbas às vítimas ainda vivas da talidomida, cerca de 20
milhões de euros
Criada na Alemanha, em 1957,
tornou-se um dos maiores desastres d a Medicina. Um medicamento que parecia
inofensivo para dores de cabeça, insónias e enjoos, tão inofensivo que era
prescrito a grávidas (para combater os enjoos matinais), e que foi descrito
como sendo seguro em testes animais, foi o responsável por mais de 10 mil casos
de malformações graves em fetos, em 46 países do Mundo. Muitos bebés não
chegaram a nascer devido aos problemas graves que desenvolviam durante a gestação.
Os Estados Unidos nunca o chegaram a adotar.
No final dos anos 1960, foram
descritos na Alemanha, Reino Unido e Austrália os primeiros casos de malformações
congénitas onde crianças passaram a nascer com focomielia, mas não foi imediatamente
óbvio o motivo para tal doença. Foi apenas em 1962 que a relação entre a talidomida
e as deformações nos fetos foi confirmada e o medicamento proibido para grávidas
ou, em alguns casos, em mulheres em idade fértil. Outros países baniram-no.
O caso inglês
Há muito tempo que os sobreviventes
da chamada “geração da talidomida” no Reino Unido reivindicavam um apoio
estatal para apoiar as despesas de saúde que tinham e que aumentavam com o
avançar da idade, mas foi apenas no passado dia 15 de Janeiro que o Governo
britânico pediu desculpas às vítimas, confirmando a atribuição de uma verba de
22 milhões de euros.
O secretário de Estado para a Saúde,
Mike O’Brien, expressou a “sincera contrição e a profunda simpatia” do Governo às
vítimas da talidomida. “Reconhecemos, ao mesmo tempo, o sofrimento físico e os
problemas emocionais que afetaram as crianças atingidas e as suas famílias”,
acrescentou O’Brien. A verba reverterá a favor do “Talidomida Trust”, uma
associação que reúne 466 vítimas e que foi criada para gerir os 28 milhões de indemnização
pagos pela Distillers Biochemicals, a empresa que comercializava a talidomida
no Reino Unido. O dinheiro permitirá às vítimas adaptarem as suas casas aos
imperativos dos seus problemas físicos.
Quando a esperança nos
políticos começa a não ser mais do que uma utopia, quando parece que nada pode
fazer a vida melhorar, muitas pessoas procuram soluções por outros caminhos.
Newsletter
Receba as nossas notícias diariamente na sua caixa de correio.
Registo efectuado com sucesso.
Erro a adicionar.
Por favor insira um email válido
RSS Feed
Receba comodamente toda a informação em destaque na Folha de Portugal, saiba como aqui.