Para além de nunca terem
nascido tão poucas crianças em Portugal como agora, também tem crescido o
número de casos de bebés que nascem antes do tempo
Os dados ainda provisórios apontam
para um total de 100.026 rastreios efetuados no ano passado, no Instituto de
Genética Médica Jacinto de Magalhães, no Porto, local que centraliza as
análises das amostras de sangue recolhidas através da picada no calcanhar dos recém-nascidos,
o chamado “teste do pezinho”. Representando cerca de menos quatro mil
nascimentos do que em 2008, estes testes constituem um indicador extremamente
fiável da natalidade, porque cobrem “99,6%” do total de nascimentos.
Menos nascimentos
No início da década de 80,
“tinha-se o primeiro filho, em média, aos 23,5 anos, agora, é aos 28,4”,
relembra a socióloga Maria João Valente Rosa. O que quer dizer que, atualmente,
sobre menos tempo às mulheres para terem filhos e estas também querem ter menos
filhos. Para além disso, os incentivos à natalidade pouco ou nada têm ajudado: “as
mulheres sabem melhor do que os governantes o que afeta o nascimento de uma
criança: a estabilidade em termos de trabalho, as condições de acolhimentos, sendo
que as creches são poucas e caríssimas”, constata Ana Fernandes, demógrafa.
Mil prematuros por ano
De acordo com a Organização
Mundial de Saúde (OMS), nascem todos os anos, no Mundo, 13 milhões de
prematuros. E Portugal registou, em 2008, 1.025 abaixo das 1.500 gramas e das
32 semanas; e 170 bebés no limiar da viabilidade, ou seja, entre as 24 e as 25
semanas. Ainda não existem dados estatísticos relativamente a 2009, “mas os
números não serão muito diferentes”, assegura a diretora do Departamento de
Neonatologia do Hospital de S. João, no Porto.
No nosso País, a prematuridade
tem vindo sempre a aumentar nas últimas três décadas. Se há 30 anos atrás, 5%
destes bebés estavam abaixo das 32 semanas, hoje são 7%. As infeções
assintomáticas são a causa mais comum: “é a infeção bacteriana ou vírica”,
explica Hercília Guimarães. Uma placenta inflamada ou uma infeção urinária
podem despoletar as contrações do parto. No entanto, a prematuridade também pode
estar ligada a outros fatores, tais como uma doença crónica da mãe.
Para além das causas mais comuns,
existem ainda outros fatores de risco sobre os quais nem sempre se pode provar
cientificamente que tenham estado na origem de um parto antes do tempo, tais
como: o stress, a falta de condições, a poluição, uma gravidez antes dos 18 ou
depois dos 35 anos e a inseminação artificial.
Quando a esperança nos
políticos começa a não ser mais do que uma utopia, quando parece que nada pode
fazer a vida melhorar, muitas pessoas procuram soluções por outros caminhos.
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